grito silencioso

o amor de psiquê é uma agulha

domingo, fevereiro 12, 2006

 

um texto antigo...

Sim, a felicidade. Convenço-me todos os dias de que ela não existe, mas procuro-a incessantemente. São frequentes os momentos que me percebo pensando, tentando decifrar minha infelicidade, mesmo sem ter admitido meu estado (quase perene) de tristeza, enquanto tento estabelecer o que seria a felicidade. Ela se esboça tão longuínqua, tão alheia, como se ela não fizesse parte do meu ser, como se ela fosse inatingível para mim. Apenas uma sensação que me visita por um intervalo de tempo suficiente para me confundir. Para depois eu não entender como pode ela ter desaparecido assim imperceptivelmente tão depressa.

Sim, somente um papel em branco e um lápis podem ser bom companheiros. O papel me dá a liberdade. E o lápis, a possibilidade, o poder. Apenas eles são capazes de compreender, de aturar, de ajudar e para os quais não temos vergonha de encarar no dia seguinte, de quem não precisamos esconder nossas fraquezas, para quem não precisamos simular... De quem não precisamos esconder... de nós mesmos.

Sim, o destino. Essa enigmática força da qual não escapamos, mesmo que a ignoremos. Ele se molda à nossa frente com luzes reluzentes, mesmo que estejamos cegos. É um fato, mesmo que não sejamos capazes de conceber.

Sim, a capacidade. Sentir-se capaz. Sentir-me incapaz faz com que eu me sinta trite, que eu desacredite na possibilidade de qualquer força emanada por esta alma. Não dar conta é para mim uma vergonha. E perceber qualquer proximidade à derrota me angustia e me atordoa completamente. É o perfeccionismo que impera e o orgulho que se revela tornando-se o vilão da alma.

Sim, a vítima. A posição de quem atribui a sua desgraça ao outro. O imutável, o inatingível, o poderoso, o cruel. Aquele que rouba-lhe toda a força, a vontade, a compreensão, todas as virtudes, inclusive a responsabilidade. Então ela se acomoda, a segurança se esvai e ela se torna instável, vulnerável; produzindo atos incoerentes, inconsisos, justificados por sua lastimável situação.

Sim, o desafio. Odiado por uns, amado por outros. Embora trabalhando em lados opostos, ambos são direcionados por ele: os que o amam procuram-no, os que o odeiam evitam-no. Mas que os separam em duas categorias: os fortes e os fracos.

Sim, a fraqueza. A defrontação com ela nos momentos importantes e a instauração de sua tirania.

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