Concordo que algumas coisas simplesmente não são para serem faladas. Não por somente ser mais seguro, mas porque parece que são incompatíveis com a realidade externa a nós. Entretanto, atrevemo-nos a escrevê-las, colocando a quantidade necessária de subjetividade e sugestivismo em nossas aventuras. Pois qualquer tentativa de ser muito direto e objetivo resultaria numa tragédia. Afinal escrever é uma via muito peculiar da expressão e da comunicação. É um outro mundo, que dá abertura ao mesmo tempo que cria limites, no qual conseguimos achar, curiosamente, algum abrigo.Há certas coisas que não haveria mesmo ocasião de as colocarmos sensatamente numa conversa - e que só num poema estão no seu lugar. Deve ser por esse motivo que alguns de nós começamos a fazer versos. Um modo muito curioso de falar sozinho, como se vê, mas o único modo de certas coisas caírem no ouvido certo.
[ Mário Quintana .:. 'Caderno H' . "Limites da Conversação" ]
Passada a empolgação inicial da novidade de meu blog, comecei a me perguntar porque escrevo e, ainda, porque publico meus escritos. Mas talvez a resposta esteja no que Mário Quintana escreveu. Não que eu esteja procurando atingir determinados ouvidos, mas é que o texto certo a gente lê no momento mais imprevisível. O sentido de meu blog se constrói, então, numa não intensão, porém, num trabalho que se propõe a pelo menos não ser feito de qualquer jeito, embora seja bastante descompromissado.As coisas mais importantes são as mais difíceis de expressar. São coisas das quais você se envergonha, pois as palavras as diminuem - as palavras reduzem as coisas que pareciam ilimitáveis quando estavam dentro de você à mera dimensão normal quando são reveladas. Mas é mais que isso não? As coisas mais importantes estão muito perto de onde seu segredo está enterrado, como pontos de referência para um tesouro que seus inimigos adorariam roubar. E você pode fazer revelações que lhe são muito difíceis e as pessoas o olharem de maneira esquisita, sem entender nada do que você disse nem porque eram tão importantes que você quase chorou enquanto você estava falando. Isso é o pior eu acho. Quando o segredo fica trancado lá dentro, não por falta de um narrador, mas de alguém que compreenda. [ Stephen King .:. 'The Four Seasons' ]
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