grito silencioso

o amor de psiquê é uma agulha

quinta-feira, dezembro 09, 2004

 

putz!

Conselho: não vá procurar na internet alguma figura desta tela de Vermeer... (post: "os mapas") Há determinadas descobertas que não valem a pena... O vislumbre de informação imediata dessa era nossa conturbada pode ser traiçoeiro. Eu, em meu gosto habitual por querer conhecer a versão original de tudo, tive uma profunda decepção com o que eu vi quando a encontrei. A imagem formada em minha cabeça é milhões de vezes mais emocionante; e, acredite, o texto não é mais o mesmo, não tem a mesma magia depois que aquela imagem cola em sua caxola igual um chiclete recém-mascado. Agora tenho que conviver com ambas: a construção mental perfeita e a imagem original, que é completamente inexpressiva. Como é atormentador. Fico repetindo todos os dias para minha mente esquecer aquilo que ela viu... Mas infelizmente nossa mente não é tão seletiva quanto às vezes a imploramos. Descobri, então, perplexa, que o ingrediente que confere à literatura seu lugar especial é a imaginação de quem lê e que, muitas vezes a intenção de quem escreve é só o impulso, não é a obra de arte em si. Você, leitor mais atento, deve ter se perguntado: Como Rubem Alves conseguiu extrair daquilo aquele texto tão sensível? rs... Foi a primeira pergunta que eu me fiz! E a minha conclusão é de que ele era também "aquele que lia" a tela. E talvez a minha frustação tenha sido tão grande por minha distância, devido ao tamanho de nossas imaginações, pois a minha imaginação criou a partir do que a imaginação de Rubem Alves criou a partir da criação da imaginação do pintor. Putz, Matrix!! Vamos parar por aqui. rs!... É... talvez exista o lado bom das distorções... Espero, do fundo do meu coração, que um dia essa maldita imagem se desentegre de minhas coleções visuais. A punição serviu de lição: "O essencial é [realmente] invisível aos olhos..."


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(maiores detalhes, leia "Agora você pode comentar!" postado dia 20.dez.2004)
 
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