grito silencioso

o amor de psiquê é uma agulha

segunda-feira, dezembro 20, 2004

 

o convite

Não me interessa saber como você ganha a vida.
Quero saber o que mais deseja
e se ousa sonhar em satisfazer os anseios do seu coração.

Não me interessa saber sua idade.
Quero saber se você correria o risco de parecer tolo
por amor,
pelo seu sonho,
pela aventura de estar vivo.

Não me interessa saber quais planetas
estão em quadratura com sua Lua.
O que eu quero saber
é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza,
se as traições da vida o enriqueceram
ou se você se retraiu e se fechou,
com medo de mais dor.

Quero saber se você consegue viver com a dor,
a minha ou a sua,
sem tentar escondê-la,
ou disfarçá-la
ou remediá-la.

Quero saber se é capaz de conviver com a alegria,
a minha ou a sua,
de dançar com total abandono
e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos
sem nos advertir que sejamos cuidadosos,
que sejamos realistas,
que nos lembremos das limitações humanas.

Não me interessa se a história que você me conta
é verdadeira.
Quero saber se é capaz
de desapontar o outro
para se manter fiel a si mesmo.
Se é capaz de suportar uma acusação de traição
e não trair sua própria alma.
Ou ser infiel
e, mesmo assim, ser digno de confiança.

Quero saber se você é capaz
de enxergar a Beleza no dia-a-dia,
ainda que ela não seja bonita,
e fazer dela a fonte de sua vida.

Quero saber se você consegue viver com o fracasso,
o seu e o meu,
e ainda assim pôr-se de pé na beira do lago
para o reflexo prateado da Lua Cheia,
"Sim!"

Não me interessa
saber onde você mora ou quanto dinheiro tem.
Quero saber se,
após uma noite de tristeza e desespero,
exausto e sofrido até os ossos,
é capaz de fazer o que precisa ser feito
para alimentar seus filhos.

Não me interessa saber quem você conhece
ou como chegou até aqui.
Quero saber se vai permanecer
no centro do fogo
comigo,
sem recuar.

Não me interessa
onde, o que ou com quem estudou.
Quero saber o que o sustenta,
no seu íntimo,
quando tudo o mais desmorona.

Quero saber se é capaz de ficar só
consigo mesmo,
e se nos momentos vazios
realmente gosta da sua companhia.

[ Oriah Mountain Dreamer .:. "O convite" ]

texto original: http://www.oriahmountaindreamer.com

Comentários:
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login .:. visitantesilencioso
senha .:. querofalar

(maiores detalhes, leia "Agora você pode comentar!" postado dia 20.dez.2004)
 
Foi não, foi a Oriah Mountain Dreamer. Esse nome é fictício, é tipo o nome artístico da autora, um pseudônimo. O original é em inglês, esta é a tradução. Eu também o acho forte, marcante. Ele consegue resgastar a essência de cada situação. Nos faz pensar o que é realmente importante. E é equilibrado. Fala tanto da tristeza quanto da alegria, e de maneira própria. Além disso é muito interessante "o convite" à introspecção muito bem finalizado pela última estrofe. Abraço.
 
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