grito silencioso

o amor de psiquê é uma agulha

domingo, novembro 28, 2004

 

o ladrão de biscoito

"Certa noite uma mulher estava no aeroporto, com um longo tempo de espera pela frente até a saída de seu vôo.
Comrpu um livro, um pacote de biscoitos e sentou enquanto aguardava.
Embora atenta à leitura, percebeu que um homem ao seu lado tirava um biscoito do pacote colocado entre os dois. Para evitar uma cena, ela fingiu que não estava vendo.
Ela lia o livro, comia biscoitos e olhava o relógio. De vez em quando, o homem voltava a tirar um biscoito do pacote, o que foi deixando-a extremamente irritada, com ímpetos de agredí-lo.
Mas não fazia nada.
Ela pegava um biscoito, ele pegava outro. Quando faltava apenas um, ela ficou tensa, sem saber como agia. Com um sorriso simpático, ele pegou o último biscoito e partiu ao meio.
Ofereceu a ela uma metade e comeu a outra parte.
Ela arrancou da mão dele a parte que recebeu, pensando na grosseria do homem que sequer lhe agradecera. Sentiu-se extremamente ultrajada e respirou com alívio quando chamaram seu vôo.
Juntou suas coisas apressadamente e se dirigiu para o portão, sem sequer olhar para trás.
Entrou no avião, mergulhou na poltrona e abriu a maleta para pegar o casaco.
O susto que levou a deixou sem fôlego: ali estava ele, inteirinho, o seu pacote de biscoitos!"
[ Autor Desconhecido ]

quinta-feira, novembro 25, 2004

 

a praça intocável

Gosto das cenas urbanas. Principalmente das praças. Pessoas que passam, pessoas que permanecem. Garotos andando de skate, bicicleta; pessoas passeando com cachorros; pessoas fazendo caminhada, outras sentadas; casais de namorados, amigos, pessoas sozinhas - muitas fazendo nada, umas bordadando, outras lendo, quem sabe escrevendo... Roupas esportivas, suadas; roupas requintadas, perfumandas; roupas comuns, de maneiras variadas... Cores várias, que dariam uma conotação mais alegre ao cenário mas tornam-o competitivo ao olhar vagante e não dizem nada ao dizerem por si próprias... Olhares descontraídos, outros distraídos, uns preocupados, a maior parte pensativos... Pessoas dando voltas, umas andando sem rumo, outras com rumo circular... Todas perdidas e desconectadas, embora compartilhando o mesmo ar, os bancos, o verde, os cantos dos pássaros. Desconexas entre si, como se flutuassem e a praça fosse intocável para elas. Apenas um palco, que não as pertence. Multiplicidade de sentidos, superficialidade. Mas forças centrípetas imperam e a praça ganha um sentido particularizado. Só se é interlocutor reflexivo. E o vazio é preenchido pelo sujeito de cada um. O dia vai cedendo lugar à noite, luzes invertidas surgindo, agitação da cidade aumentando, barulho do trânsito irritando mais... ... até a hora que dá vontade de ir embora. E o que resta é apenas isto: cenas que ficarão na memória.

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