grito silencioso

o amor de psiquê é uma agulha

sexta-feira, outubro 15, 2004

 

reflexão vital-poética

quero extrair deste corpo pensante,
beleza
vasculhar bem lá ao fundo
atravessar o labirinto de luminosidade
da minha essência viscosa, semi-translúcida,
chegar onde nunca se chega
resistir à corrupção do escuro mais profundo
e fabricar impressos
a partir de imagens e significados
signos
que provocarão vibração diferente
na memória sensorial

esta sou eu
à procura incessante do comum renovado
do estímulo inusitado
do novo matéria-primático, plasmático
através do qual recrio vida
quando esta encontra-se estraçalhada
em pedaços pontiagudos
que minhas mãos
tremulamente tentam restituir
o que é apenas reciclável
até perceber que os cristais
se quebram apenas uma vez.


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